Quando a vida te roubar algo, substitui por algo melhor.

O que a vida me roubou…eu substituo por outra ainda melhor mesmo que não seja imediato. Porque quando me rouba um sorriso, dias mais tarde eu troco por uma gargalhada por mais pequena que seja. E mesmo que entre um momento e outro ela me ofereça uma lágrima, eu choro sem preconceitos porque a vida deve ser vivida mesmo nos dias mais tristes, e tudo é passageiro e se não nos permitirmos chorar, ficará sempre a mágoa, a dor no peito, o nó na garganta, porque é preciso chorar para poder fazer o luto, para mais tarde seguir em frente. Nem sempre há a vontade de escrever, porque a vida ou o que ela nos transmite também nos rouba isso, rouba nos os pensamentos, o sentido das palavras, a organização de ideias que nos parecem boas, mas que não passam de pequenos devaneios misturados sem qualquer ordem ou sentido, e fica uma página cheia de nada. E pensamos, e pensamos e quanto mais pensamos mais nos esquecemos do que parecia ser algo promissor. Mas a vida e esta doença nos dias melhores fazem-me perceber que ainda é possível fazer algo bom e ser um bocadinho do que era antes nem que seja um dia num mês, ou uma hora numa semana e então nesse pequeno espaço de tempo eu luto, eu brinco, eu escrevo.

A vida é cheia de batalhas em vários campos, e perder uma batalha não me fará perder a guerra, porque são mais importantes as batalhas que eu ganho do que as que eu perco.

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Porque ás vezes os olhos só vêem o que queremos ver…

Na vida conhecemos todo género de pessoas, e maioritariamente, o Homem cria “rótulos”, há aquelas que ao primeiro olhar simpatizamos e depois caímos na realidade que afinal não corresponde à imagem. E depois há aquelas pessoas pelas quais não criamos o mínimo laço.

Nestes últimos dias tenho me debatido com esse género de situação, uma pessoa pela qual eu não me sentia nem amigavelmente atraída nem repelida, e que tem demonstrado  que afinal ainda há algo de bom na Humanidade, nas pessoas que nos rodeiam. Uma pessoa sempre pronta ajudar, sem julgar, uma pessoa capaz de se “dar” a conhecer sem sentir necessidade de falar dos outros negativamente para se fazer sobressair.

Afinal ainda há pessoas capazes de se levantarem e “darem” a conhecer com confiança mesmo que isso signifique voltar a cair, pessoas que mesmo depois de decepções continuam à procura das pessoas certas, dos amigos certos, dos colegas certos. 

Afinal ainda há pessoas capazes de nos fazer ir há luta, à procura delas, capazes de combater os “rótulos” que nos são impostos no dia-a-dia, capazes de dar segundas chances mesmo que a primeira imagem seja negativa.

Porque afinal ainda há pessoas a acreditar…

Aos olhos de quem sente…

Sinto que me estou a perder aos poucos, que já não me identifico com a minha pessoa, que todos os meus pequenos detalhes se vão dissipando. Sofro calada para não dar alarido, para não confundir quem não compreende o que é sentir o que não se vê. Aquela dor interior que grita e esperneia, que persiste e que eu luto contra, mas que por vezes é mais forte. Luto, Luto, Luto, mas mais parece uma batalha que não tem fim, mais parece que estou a lutar contra mim própria e que seja qual for o resultado, eu perco sempre.Luto por eles, por aqueles que me vêem a fazer uma longa jornada, por aqueles que acreditam , aqueles que mesmo não compreendendo tão bem me acompanham. É (sobre)viver um dia de cada vez e esperar um resultado, seja ele qual for, e esperar que o dia de amanhã seja melhor. É todos os dias dizer : Hoje estou bem, amanhã não sei. Mas mesmo assim acreditar em dias melhores, nem que sejam 5 minutos num dia. Por eles.

Porque tudo se resume a eles, àqueles que estão comigo seja qual for a luta, seja qual for resultado, que perdem comigo, mas que também ganham.

 

 

Violência Doméstica

Segundo um estudo divulgado recentemente pela Polícia Judiciária, um terço das vítimas mortais de violência doméstica já tinha apresentado queixa às autoridades. Mais de metade das vítimas estava em fase de separação.

Cláudia Cardoso tem medo de entrar para as estatísticas. Depois de 17 anos de maus-tratos e ameaças de morte, esta mulher separou-se, mas teme agora pela sua vida e pela das filhas.

Como é possível “deixarmos”, que pessoas, seres humanos passem por tamanha crueldade.Não são só as agressões físicas, mas também o medo, o viver na sombra de outrem. E pior do que ter medo por nós, é ter medo pelos nossos filhos, pelo nosso bem mais precioso.A violência doméstica não é só um rosto machucado ou uma perna partida, a violência doméstica é mais, muito mais.É ter o coração desfeito em mil bocados e não saber como conserta-lo ou se alguma vez terá conserto, é o ter de ver os próprios filhos assistirem a isso sem lhes poder prestar auxilio e saber que podem passar 1, 10 ou 100 anos, que isso os irá marcar para toda a vida (e rezar que não usem esse dano para o mal). É saber que, por muito que se faça justiça, esta nunca será suficiente, afinal o que são meia dúzia de anos de punição quando comparados com uma vida repleta de más memórias e infâncias perdidas?

Enquanto este Mundo for constituído por “estudos” e não por actos que se sobreponham, haverá sempre mais uma “Cláudia”. Haverão sempre “estudos” e “estatísticas” a serem analisados.

Que amanhã as tão ditas “estatísticas” sejam a favor destes grandes Seres Humanos, sejam eles Mulheres ou Homens, porque da mesma maneira que há milhares de “Cláudias”, também há milhares de “Josés”.

 

 

A Perda de algo valioso…

A perda de algo valioso… começa a ser penosa quando te dás conta que já não possuis algo que fazia parte de ti.

Não me refiro a bens materiais ou a algo que podes reconquistar no instante seguinte, refiro-me quando reparas que afinal aquele teu atributo que tanto te definia desapareceu e não sabes como voltar a “aprender”.

Como quando tens uma “memória de elefante” e te consegues lembrar de todos os pequeninos pormenores de há 1 ano atrás,  e de um momento para o outro te esqueces da mais pequenina (ou grande) coisa que seja, como o Dia do Pai.

Fico triste só de pensar que normalmente planeio este dia com semanas de antecedência e este ano me esqueci do Dia dos Dois Pais da minha vida (o meu e o do meu filho).

Seja porque motivo for, é um sentimento entristecedor saber que afinal tinhas algo que te distinguia e afinal já não está lá.

A perda de algo valioso…faz-nos ver o que realmente importa.

E o que realmente importa é que o dia ainda não acabou.

 

Um beijo aos Meus Melhores  Pais do Mundo.

A Bondade do Ser Humano…

A bondade do ser humano não se mede pela quantidade de vezes que ele sorriu, ou pela quantidade de vezes que ele fez sorrir, isso chama-se humor, boa disposição.

A bondade define-se pelas inúmeras vezes que ele mudou a vida de alguém para melhor, seja esse “alguém” quem for.

Uma das pessoas mais bondosas que conheço é a pessoa que divide a vida comigo (esteja ela boa ou menos boa).

É aquele ser humano que não se limita a “estar”, mas sim aquele que “não vai”, mesmo que o “mande ir” vezes sem conta.

É a pessoa que diz “hoje não estás bem, amanhã estarás, sabes que gosto de ti?”

Por vezes tudo o que precisamos é de alguém assim nas nossas vidas (vivam elas connosco, ou não, entendam elas pelo que passamos ou não).

Precisamos de mais pessoas assim na nossa vida, pessoas que saibam estar!

“Ser Bipolar”

“Esta pequena reflexão foi motivada pela leitura de um texto escrito por uma doente bipolar que na altura se encontrava internada num serviço de doentes psiquiátricos agudos no Hospital Júlio de Matos. A Sónia (nome fictício) tem 26 anos de idade e três filhos e tinha sido internada na sequência de um Episódio Maníaco. A sua doença é resistente à medicação e os sintomas difíceis de controlar. Encontrava-se já internada há cerca de mês e meio, e nos dias anteriores à doente me ter entregue o texto, tinha sido alertado pelos enfermeiros do serviço para uma alteração do comportamento desta doente. De facto tinha melhorado um pouco, estava menos querelante e apelativa, tinha começado a escrever e a pintar, actividades que apreciava muito.

Ser bipolar, é entrar em transe, é correr sem nunca parar, nesse momento não há amigos, não existem filhos, só o desespero, a solidão. A obscuridade da vida penetra fundo o pensamento, os caminhos são incertos, a noite não existe. A crise! Aparece sem avisar, nem pergunta se pode entrar, a boa educação cede á angústia e á tristeza, os pensamentos andam a 500 á hora em torno da nossa cabeça. É como uma bomba, mas sem tempo marcado pois dá a sensação que vai explodir, mas não explode, atormenta o nosso ser como se dele fosse dona. Ter uma crise é entrar por uma porta virtual como se fosse arrastada, para um mundo diferente onde tudo o que aprendemos é esquecido e agimos inconscientemente. Aquela menina que cresceu sem pai, que aprendeu cedo que a vida é injusta e nem tudo o que queremos podemos ter, volta à minha alma e então choro, choro sem parar por sentir falta de quem me compreendia sem ser preciso eu falar. Este gene maldito que herdei pode me tirar tudo á minha vida, mas eu sei que quero ser forte e vou sê-lo para não me deixar vencer. Tanta gente boa que põe termo á vida voluntariamente transportando apenas a sua tristeza aos seus entes que irão viver a vida na saudade, atormentados por uma dor que os acompanhará até á hora em que dirão também adeus á vida. São pessoas que se entregam á dor, ao sofrimento e se iludem de que não há mais nada a fazer senão de decidirem que o melhor é morrer. Pesa-me na consciência que eu também tenha vontade de morrer, de pôr fim ao meu sofrimento da pior maneira, mas existe qualquer coisa que me afasta esse pensamento da cabeça e resolvo que o melhor a fazer é lutar, lutar por mim, pelos filhos, por aqueles que me amam e não querem dizer-me adeus.

Sónia

Neste texto estão patentes muitos dos sintomas da doença mental e a maneira como são vistos por uma doente a recuperar de uma crise. Está patente o caracter angustiante e involuntário do adoecer mental e a revolta e impotência que geram. Está ainda patente a luta contra a ideação suicida, que por vezes parece ser a única saída; e o forte vínculo afectivo que prende a pessoa à vida apesar do esmorecimento da esperança.”